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Uma breve reflexão sobre a idade madura*  

Você já parou para pensar qual é a expectativa de vida de um idoso, atualmente, no Brasil? A média é de 79 a 79,7 anos.

A população de brasileiros com mais de 60 anos alcança o número de 28 milhões de pessoas, o equivalente a 13% da população do país, segundo dados do IBGE coletados em 2018[1]. Especialistas consideram que esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, estimando-se que, em 2050, quase 30% da população tenha mais de 60 anos, tornando o percentual de idosos maior que o da população com 15 anos.

Diante desses dados, fica fácil entender a razão pela qual, desde 2004, vigoram leis no sentido de destinar locais reservados aos idosos em ônibus, vagas de estacionamento e demais locais públicos e privados. Não é por acaso que todas essas medidas estejam intrinsicamente ligadas ao estatuto do idoso (Lei 10.741/03), que, após sua criação, estendeu a possibilidade do Estado brasileiro “fortalecer a rede internacional de luta em defesa dos direitos de quem tem mais experiência de vida, com foco em questões ligadas à saúde, convívio familiar, abandono, sexualidade, aposentadoria”[2].

O estatuto do idoso tem como principal premissa resgatar direitos e antecipar uma qualidade de vida no futuro da pessoa que acaba de completar 60 anos. Por isso, além de reservas de assentos e vagas de estacionamento, há também previsão de desconto de 50% no valor do ingresso em atividades culturais, esportivas e de lazer em geral. Isso porque muitas dessas atividades são desempenhadas, em sua grande maioria, por idosos, a partir da faixa etária de 60 anos, pois, antes disso, são tantas as responsabilidades pessoais e financeiras, que normalmente não há tempo ou dinheiro disponível para realizá-las.

Por essa razão, a faixa etária acima de 60 anos é comumente classificada como a melhor idade, pois geralmente é o período em que as pessoas passam a desfrutar dos anos trabalhados a fio, passando a receber além se seu salário mensal, eventual aposentadoria, que vem auxiliar e proporcionar novas experiências.

Importante mencionar que, antes de 2006, o dia do idoso no Brasil era comemorado em 27 de setembro. Contudo, após a Organização das Nações Unidas (ONU) instituir o data de 01 de outubro como o Dia Internacional do Idoso, os brasileiros passaram a celebrá-lo na mesma data.

Há a percepção de que o maior desafio do idoso é manter-se ativo, ter qualidade de vida, ter saúde, não depender de ninguém, realizar atividades físicas, intelectuais e de diversão. Tudo isso porque, após completar 60 anos, começam a surgir preocupações com raciocínio, memória, clareza mental e saúde geral, em virtude de que a ocorrência de doenças crônicas, em parte das pessoas, dá-se a partir de 55 anos de idade.

Se não bastassem todas essas adversidades, o ano de 2020 apresenta-se como um desafio a ser superado pela população idosa, tudo graças à pandemia do novo coronavírus. A letalidade do vírus é mais elevada em pessoas na faixa dos 60 anos de idade, razão pela qual são consideradas como grupo de risco para a Covid-19, desencadeando diversas alterações nas atividades até então rotineiras dos idosos, pois há a necessidade de uma imposição de um confinamento mais restritivo aos idosos. O maior problema é que, por medo de contrair o novo coronavírus, muitos idosos deixaram de procurar os atendimentos médicos para acompanhamento de doenças crônicas, obrigando-os a procurarem atendimentos de urgência quando há um descontrole dessas doenças. Além disso, o isolamento trouxe um aumento da ansiedade por falta de atividades externas, sem interação e convívio social, fatores esses que provocaram um aumento significativo nos sintomas de mal-estar físico e psíquico da população idosa.

Ainda que os efeitos decorrentes da maior crise sanitária vivenciada sejam imensuráveis, alguns idosos estão conseguindo aprender coisas novas nessa pandemia, pois além de conviverem bem consigo mesmo, provocando novos estímulos cognitivos em suas rotinas, por exemplo, voltaram a estudar, adquiriram habilidade para realizar cursos na modalidade online, criaram um novo negócio, entre outros. Além disso, deixaram de lado todo aquele preconceito, que até mesmo o próprio idoso tem, que se resume em não poder brincar, divertir-se, fazer graças e aprender coisas novas. O mais importante nesse momento é buscar um equilíbrio, entre o que se pode fazer e o que se gosta de fazer, sem que essas novas possibilidades caiam na rotina.

Quando se alcança essa faixa etária, é primordial que o idoso consiga lidar de forma equilibrada com suas atuais necessidades e limitações, pois fazem parte da sua realidade e, com o surgimento dos primeiros sinais de envelhecimento, é fundamental a compreensão das suas restrições para o seu bem-estar e para a sua qualidade de vida. Por essa razão, não é difícil encontrar pessoas que encaram essa fase como o melhor período das suas vidas, mesmo que elas não possuam a mesma agilidade para executar certas atividades cotidianas como as de outrora, demonstrando que as experiências adquiridas ao longo nos anos fazem toda e qualquer limitação valer a pena. Do mesmo modo, há relatos de idosos que se concentram somente nos pontos negativos decorrentes da faixa etária avançada e acabam se privando do que poderia ser classificado como o melhor momento da sua vida.

Talvez, você nunca tenha refletido sobre isso, mas pensar na velhice é tarefa de todos, não só dos velhos, como dos jovens, motivo pelo qual não só a família deve auxiliar essa fase, mas sim a sociedade como um todo.

Importante ressaltar que há muitos critérios a serem observados ao avaliar a qualidade de vida na terceira idade, porém deve-se sempre levar em conta que a idade avançada (velhice) não é homogênea, pois existem muitos padrões de envelhecimento e muitas maneiras de encará-la, vivê-la e desfrutá-la. Cada idoso é um ser único que, ao longo da sua trajetória de vida, foi impactado por eventos de natureza fisiológica, patológica, psicológica, social, cultural, ambiental e econômica, os quais influenciam na qualidade de vida ao atingir a idade avançada.

A questão principal tem como essência o idoso e o que ele entende por qualidade de vida ao alcançar a idade madura. Assim, é importante identificar fatores contributivos desse processo para que se tracem metas de promoção de uma velhice rodeada de qualidade de vida.

Portanto, as pessoas responsáveis por cuidar/supervisionar um idoso necessitam entender esse mundo paralelo que, conforme observado anteriormente, é repleto de experiências e limitações, razão pela qual o acompanhante deve estar atento às reais necessidades do idoso, buscando desenvolver habilidades e sensibilidades no espaço onde esse está inserido.

Afinal, envelhecer é direito do cidadão, mas propiciar um envelhecimento com dignidade é dever da sociedade!

* Por Bel. Élida Piovesana do Nascimento

Referências:
[1] Agência brasil
[2] FENAE
Emais Estadão




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